Ser trabalhador independente, freelancer ou empresário em nome individual não o impede de comprar casa — mas a análise do banco é mais exigente e menos previsível. Neste guia explico exatamente como o seu rendimento é calculado, quantos anos de atividade os bancos pedem, como o IRS influencia o montante aprovado e as estratégias que, na prática, aumentam a probabilidade de um "sim" em 2026.
Os bancos concedem crédito habitação a trabalhadores a recibos verdes, mas fazem uma análise mais rigorosa do que a um trabalhador por conta de outrem com contrato sem termo. O foco está na estabilidade e previsibilidade dos rendimentos: enquanto um recibo de vencimento mostra um valor fixo mensal, a faturação de um independente varia — e o banco quer perceber qual é o rendimento "de confiança" com que pode contar durante 30 ou 40 anos de contrato.
Não há uma regra única, mas a prática do mercado é clara: a maioria dos bancos valoriza um histórico de atividade de pelo menos 2 anos, comprovado pelas declarações de IRS. Com 3 ou mais anos de atividade estável ou crescente, o processo torna-se substancialmente mais fácil. Com menos de 2 anos, a aprovação é mais difícil — mas pode ser viável com uma entrada reforçada, um segundo titular com contrato de trabalho, ou escolhendo o banco certo. É precisamente nestes casos-limite que a escolha do banco faz toda a diferença.
Este é o ponto mais mal compreendido pelos trabalhadores independentes. Os bancos raramente usam o valor bruto faturado. Em vez disso:
Consequência prática: a forma como declara os seus rendimentos no IRS tem impacto direto no montante que consegue pedir. Otimizar despesas ao máximo baixa o imposto — mas baixa também o rendimento que o banco considera. Se planeia comprar casa nos próximos 1 a 2 anos, vale a pena pensar nisto com antecedência.
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A taxa de esforço (DSTI) é a percentagem do rendimento mensal que fica comprometida com prestações de créditos. Idealmente deve manter-se controlada — muitos bancos preferem margens confortáveis abaixo dos 45%, já contando com a subida de juros usada no teste de stress. Como o rendimento considerado de um independente já vem "cortado" pela margem de segurança, a taxa de esforço enche mais depressa do que imagina. Exemplo: quem fatura 2.500 € mas é avaliado em 1.750 € tem, com 45%, cerca de 790 € de margem para todas as prestações — incluindo crédito automóvel ou cartões. Veja o cálculo detalhado no guia da regra dos 45% (DSTI).
Como qualquer comprador residente, deve dispor de pelo menos 10% a 20% de entrada (o financiamento habitual para habitação própria permanente vai até 90% do menor valor entre preço e avaliação), mais 7% a 10% do preço para IMT, Imposto do Selo, escritura e registos. Uma entrada acima do mínimo é também um dos argumentos mais fortes para compensar o perfil de rendimento variável.
| Documento | Notas |
|---|---|
| Cartão de Cidadão e comprovativo de morada | — |
| Duas últimas declarações de IRS | Com as respetivas notas de liquidação |
| Declaração de início de atividade | Emitida pelas Finanças |
| Resumo de faturação | Últimos 6 a 12 meses (e-fatura / recibos emitidos) |
| Extratos bancários | Últimos 3 a 6 meses |
| Mapa de responsabilidades de crédito | Banco de Portugal |
| Certidões de não dívida | Autoridade Tributária e Segurança Social |
Se é sócio-gerente de uma empresa, a análise combina a sua remuneração declarada com a saúde financeira da empresa (IES, balancetes). O princípio é o mesmo: demonstrar rendimento estável e sustentado. O dossier é diferente do de um recibo verde puro — e a escolha do banco certo, ainda mais determinante.
"Quero agradecer o excelente trabalho feito pelo Diogo, que me acompanhou nesta etapa tão importante da minha vida. É um excelente profissional. Faz um serviço de excelência."
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Sim. Análise mais rigorosa; histórico de +2 anos e taxa de esforço controlada aumentam muito as hipóteses.
A maioria dos bancos valoriza pelo menos 2 anos de IRS; com menos, a aprovação é possível mas exige entrada reforçada ou segundo titular.
A média dos últimos anos de IRS, frequentemente com um corte na ordem dos 30% como margem de segurança.
IRS (2 anos) com notas de liquidação, início de atividade, faturação recente, extratos e certidões de não dívida ao Fisco e à Segurança Social.
Diretamente. O rendimento declarado é a base de toda a análise — declarar menos para pagar menos imposto reduz o crédito possível.
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